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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Pesquisa em Comunicação Social - Métodos [ATUALIZADO]

Métodos de pesquisa em Comunicação Social:
  • pesquisa tradicional;
  • Teoria Crítica/ Teoria da Ação Comunicativa;
  • orientação agonística.
Pesquisa tradicional:
Admite a não-intencionalidade do objeto, utiliza as mesmas técnicas de pesquisa das ciências naturais. Os obstáculos surgidos em razão da racionalidade do objeto são minimizados.

Teoria Crítica:
Criada por Adorno e Horkheimer. Habermas afirma que os mais promissores resultados devem ser integrados numa Teoria Crítica, já que teoria sem conteúdo empírico pode tornar-se uma retórica vazia. O autor revisa a Teoria Crítica - que culmina antes na destruição que na realização da razão - através de sua Teoria da Ação Comunicativa, que tem importantes contatos com pensamentos latino-americanos (ex. Paulo Freire).
Nela, a verdade é atingida pelo consenso obtido através da comunicação e onde a emacipação* do sujeito tem importante papel.
* Emancipação é a mudança de hábitos perante determinada questão social.
Orientação agonística:
Compreende o "saber" da guerra, disputas, conflitos, enganos, astúcias, da persuasão e dissuasão. Este "saber" é técnica - importante lembrar que, no pensamento aristotélico, técnica é algo superior à experiência, mas inferior a razão. Maquiavel, em "O príncipe", teria escrito a tecnologia do poder.
Existe uma tentativa de criar uma metodologia para a orientação agonística, a Teoria dos Jogos.
"Essas orientações diferenciam os procedimentos de pesquisa no que concerne ao agenciamento do poder a ser exercido pelo pesquisador. Esse poder pode ser 'neutro' em relação ao conhecimento obtido, ter propósitos de emancipação ou propósitos agonísticos em relação a seus objetos de pesquisa" (EPSTEIN, Isaac. Ciência, poder e comunicação. IN: BARROS, Antonio (org.), DUARTE, Jorge (org.). Métodos e técnicas de pesquisa em Comunicação. São Paulo: Atlas, 2009. p. 23.)

Atualizado em 2 de outubro:

Positivismo: não-intencionalidade do objeto. Almeja saber científico e neutro sobre o objeto;

Teoria Crítica: ideia de progresso a partir da conscientização e da emancipação;
Agonística: aceita o componente agonístico nas interações. Utiliza os pontos de vista da Teoria dos Jogos e dos Conflitos, inclusive na solução de paralogismos (metaagonística).
"Os procedimentos analíticos são como caixas de ferramentas que contêm uma grande variedade de instrumentos. Cabe ao pesquisador ter um amplo conhecimento das possibilidades e limitações de cada um desses instrumentos para saber quais os mais adequados para atingir seus objetivos" (Idem, ibidem, p. 26)
Quantitativos: indispensáveis nas ciências naturais, nas ciências sociais tem caráter reducionista.
"Qualquer procedimento quantitativo deve ser procedido de uma reflexão sobre quais atributos pelos quais os fenômenos estudados são dessemelhantes e podem ser ignorados em relação aos objetos pretendidos" (Idem, ibidem, p. 27)
Princípios Iluministas da Ciência:
  • Universalismo;
  • Comunismo;
  • Desinteresse;
  • Ceticismo organizado.

Algumas anotações - Teoria e Método de Pesquisa em Comunicação

EPSTEIN, Isaac. Ciência, poder e comunicação. IN: BARROS, Antonio (org.), DUARTE, Jorge (org.). Métodos e técnicas de pesquisa em Comunicação. São Paulo: Atlas, 2009. p. 15-31.

Ciência empírica (experimental):
Construção e abstração de um discurso a partir de um mundo fenomenal, através da construção/ constituição de um objeto de estudo e uma ruptura com o já acontecido.

Teorias Científicas:

  • Pretendem estabelecer as condições/ regras que ligam os fatos entre si;
  • Os fenômenos podem obedecer ou transgredir as leis/ teorias propostas para representação as constrições mencionadas;
  • Devem prever meios pelo qual possam ser refutadas e serem passíveis de futuros testes.
Princípio da uniformidade da natureza:
  • Determinadas características/ fenômenos que se repetem com alguma frequência.
"(...) o pensamento científico postula, na prática, uma natureza objetiva. Suas forças e leis existem fora dos propósitos e intenções humanas." (p. 17).
Pensamento mágico: invoca-se poderes extraordionários para alterar determinado fenômeno de acordo com nossos propósitos.
Pensamento científico: esta invocação é substituída pelo pensamento científico:
"O poder do conhecimento científico provém do aproveitamento, através de generalizações e interpretações teóricas (...) quanto às regularidades dos fenômenos sociais" (p. 17).
Objetivando o domínio da natureza e de conceitos, instrumentos que facilitem a dominação sobre outros homens (Marcuse).

Sendo a natureza regular e neutra em relação ao propósito humano, pode comportar-se como o diabo agostiniano, que é indeferente ao propósito humano. Ele corresponde aos dois primeiros estágios da racionalidade tecnológica, segundo Habermas.
O cientista social enfrenta o diabo maniqueu, que muda suas estratégias quando está para ser descoberto.
"Abordamos o terceiro estágio da racionalização. Aquele que recobre situações estratégicas onde calculamos um comportamento racional em oposição a adversários que também se comportam racionalmente" (Habermas)